25/08/2017 - Por meio da educação e da sensibilização ambiental, cada vez mais pessoas participam da causa e ajudam a espalhar a mensagem da conservação. Leia mais. ↓
Após oito temporadas reprodutivas consecutivas, os resultados do esforço do Programa Nossa Praia é a Vida foram aprimorados com as ações nas praias de desova das tartarugas marinhas, no litoral norte da Bahia. Desde o início, é fundamental a participação dos usuários das praias, inquilinos, proprietários das casas dos condomínios, funcionários de hotéis e pousadas, donos de comércio e barracas. Destaque para a troca da a iluminação externa de todos os 49 condomínios que participam do Programa até o momento.
Com a força e a atenção de todos, 99% dos ninhos são mantidos em segurança no local original escolhido pela tartaruga. “Quase não precisamos mais remover os ninhos para protegê-los, apenas aqueles em risco iminente. As pessoas são os nossos olhos, nos avisam sempre que há alguma tartaruga na praia, ou filhotes desorientados”, conta a bióloga do TAMAR Luciana Veríssimo.
A base da Praia do Forte monitora uma área de 30km entre a foz do rio Jacuípe e a do rio Imbassaí, incluindo as praias de Barra de Jacuípe (3km), Guarajuba (8km), Itacimirim (5km) e Praia do Forte (14km). São registradas e protegidas mais de 2.100 desovas por temporada neste trecho, área de grande pressão antrópica, pela alta concentração de condomínios.
Nossa Praia É a Vida – O Programa é feito durante o ano todo com ações nas praias e através de reuniões, palestras e capacitação em condomínios, hotéis, pousadas e estabelecimentos comerciais. As pessoas são convidadas a complementar os conhecimentos no Centro de Visitantes da Praia do Forte, onde podem saber mais sobre o trabalho, interagir com os conteúdos e continuar participando da conservação das tartarugas marinhas.
Em todos os estados onde o TAMAR está, de acordo com as características e necessidades de cada lugar, as ações de sensibilização e educação ambiental realizadas nas praias são semelhantes. Incluem abordagens educativas dos banhistas, solturas de filhotes e tartarugas reabilitadas, instalação de placas informativas e cartazes em bares e barracas de praia, além da inclusão de material informativo nos cardápios.
O Programa foi iniciado na temporada 2009/2010, com o objetivo de traçar o perfil dos usuários de praia e planejar estratégias para diminuir as ameaças às tartarugas marinhas, que se reproduzem de setembro a março em nosso litoral. A expansão imobiliária e a crescente disseminação de complexos hoteleiros e condomínios residenciais, ao longo das praias de desova, aumentaram o número de pessoas e as ameaças à sobrevivência desses animais, como a instalação de luzes ao longo da orla (fotopoluição), a utilização de veículos na areia e a disposição inadequada de lixo. “O esforço durante esses anos se transformou em entendimento de que o patrimônio natural é de todos e deve ser cuidado por todos, é o nosso legado para as próximas gerações”, diz a bióloga.
O Projeto TAMAR começou em 1980 a proteger as tartarugas marinhas no Brasil. Com o patrocínio da Petrobras, por meio do programa Petrobras Socioambiental, hoje o Projeto é uma soma de esforços entre a Fundação Pró-TAMAR e o Centro Tamar/ICMBio. Trabalha na pesquisa, proteção e manejo das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil, todas ameaçadas de extinção: tartaruga-cabeçuda (Caretta caretta), tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata), tartaruga-verde (Chelonia mydas), tartaruga-oliva (Lepidochelys olivacea) e tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea). Protege cerca de 1.100 quilômetros de praias e está presente em 25 localidades, em áreas de alimentação, desova, crescimento e descanso das tartarugas marinhas, no litoral e ilhas oceânicas dos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina.
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